REVISÃO CRÍTICA BERTOLUCCIANA (à Edna Calabrez Martins e Glicer Dável)
Tenho duas grandes amigas que, quando falam, é bom atentar ao que dizem. Edna Calabrez Martins @ednacalabrez e Glicer Dável @glicerdavel. Duas grandes mulheres. De pensamento livre e inquietante. E que refletem, sobretudo, além do senso comum. Eu sou o senso comum. Prova disso foi o texto que publiquei há pouco sobre Bertolucci. A morte do cineasta me impactara. O texto foi elogioso ao esteta e cineasta seguro, inconformista e revolucionário, que foi. Mas passei ao largo de suas contradições, devidamente anotadas e provocadas por Edna e Glicer. Bernardo Bertolucci é (foi) um gigante autoral cuja linguagem cinematográfica e patrimônio fílmico o edificam. Não fosse um "detalhe" (atente ao potencial irônico das aspas) que derruba toda sua grandiosidade intelectual e libertária: a reprodução, in natura, no clássico "Último tango em Paris" (1972), do comportamento do patriarcado. E é perturbador reconhecer em Bertolucci a reprodução em suas relações humana...